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Quem acredita numa relação aberta?

Eu não. Os problemas – e mesmo a hipocrisia – da monogamia são preferíveis à total incerteza afetiva.
Sinto que a vida não pode ser escrita de antemão e não cabe num contrato. Nem no velho contrato potencialmente hipócrita de casamento e nem num novo e pretensamente virtuoso contrato de relação aberta. Nenhum dos dois oferece garantias contra o sofrimento. O primeiro é precário, mas provê uma base sobre a qual se pode construir a vida a dois. O outro pode ser apenas uma desculpa bonita para quem não quer construir nada.
Nós tendemos a nos ligar a uma pessoa de cada vez e somos capazes de manter com ela relacionamentos intensos, duradouros e profundos – desde que não estejamos metidos em competição sexual permanente pelo objeto do nosso afeto. Quem faz planos, filhos e arranjos de longo prazo numa atmosfera de total incerteza afetiva? Eu não.
Toda vez que ouço falar de relação aberta (algo bem infrequente, na verdade) tenho a impressão, pelo contexto, de que alguém evita comprometer-se ou que procura maneiras de encerrar um compromisso que se tornou intolerável.
Texto: Ivan Martins
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2015/09/quem-acredita-em-relacao-aberta.html