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Quando aceitas a Tua Dor

Pensei muito se era mesmo sobre isto que queria partilhar, pela intimidade pela minha verdade pelo desconforto.
Recentemente partilhei na minha página que tenho estado num processo de dor, vazio, perguntas que não têm respostas.
Sabem quando temos uma lista de tarefas para fazer, porque têm de ser feitas mas vontade, motivação, energia é 0.
Sim, 0 o conforto do sofá, da cama, do pijama, do “não fazer nada”, dei por mim várias vezes a olhar para um vazio. Quem me conhece sabe que eu adoro definir objectivos, porque move os meus dias, dá-me alegria, entusiasmo, força. Durante muito tempo assumi que a melhor postura que podia ter para mim e para o mundo era de mulher forte e “imbatível”, ou seja nada me atinge alias tinha uma expressão com as minhas amigas mais próximas “firme e hirta como uma barra de ferro”. Dizem que a idade ajuda nestas coisas, não sei se é idade ou maturidade mas ser “imbatível” dá muito trabalho e afasta-nos da nossa verdade. Assumir apenas a nossa força claramente que é não aceitar que também podemos “ir ao chão”, que tem dias que estamos frágeis, que precisamos de amor. 
Não sei se já aconteceu contigo, mas a uma dada altura entre o turbilhão de emoções que tinha dentro de mim perguntava:
– Ok, estou a sentir dor, um aperto no coração, mas o que faço com isto?
Como é que posso me libertar desta sensação? Como é que amanhã volto a ser a Flávia que adora rir, brincar, estar alegre?
Entre as 1000 perguntas que a minha mente ia fazendo, dia após dia percebi que a melhor solução para aquele momento era “aceitar”.
Sim aceitar que:
– Posso estar triste;
– Sou frágil;
– Posso errar e não tem mal nenhum nisso;
– Preciso de colo e devo expressar isso pelas pessoas que amo;
– É importante viver aquele momento e não procurar uma fuga (comida, compras etc);
A semana passada numa sessão, uma cliente partilhou comigo que “a imagem” que eu transmito é do tipo de mulher “eu quero posso e mando”. 
Fiquei a pensar sobre aquele feedback e na forma como o podia “transformar para aquilo que sinto que sou: “Eu quero posso e sinto”. 
Existe uma “quantidade” de filtros que se pode usar para evitar a dor, e sim já os usei:
– “Fazer de conta que está tudo bem”;
– “Ir às compras para não pensar sobre o assunto”;
– “Trabalhar como se não houve amanhã, para não ter nem 1 segundo da “mente” livre”;
– “Comer chocolates em quantidade industrial”. 
– “Começar uma nova relação sem dar espaço para o luto da anterior”.
Como é que tenho feito para “transmutar a dor”?
Cruzei-me recentemente com uma entrevista de uma Jornalista da RTP em que abertamente ela falou dos momentos mais difíceis que ela passou desde que vive em Lisboa. Curiosamente todos esses momentos que ela assinalou o fundo dessas questões era falta de amor.
– Distância dos pais porque vivem no Porto;
– Divórcio;
– Morte de alguém próximo;
Todos esses acontecimentos desenvolveu nela uma obsessão pelo corpo e pela “elegância extrema”.
Este fim de semana a Júlia Pinheiro no programa Alta definição de uma forma muito autentica falou sobre este problema que atingiu a filha. 
“O amor não chega”, e a “dor nos transforma” foram frases citadas pela Júlia Pinheiro. 
Durante este processo que tenho vivido a melhor frase que pode resumir todas as sensações, é exactamente isto “o dor nos transforma”.
Aceitar a pessoa que sou, hoje “não tão alegre”, entusiasta, tem sido fabuloso para pegar no telemóvel e aceitar a ajuda de pessoas que me amam. 
Sempre me conheceram por ser a pessoa que “ia apagar os fogos”, ajudar.. ajudar.. dar.. dar… é extremamente cansativo andar com esta “capa de super mulher”.
Aceitar que somos vulneráveis é largar a capa de super mulher  e chorar no ombro certo. 

Um abraço Flávia