fbpx

Existe duas formas de evitar se relacionar verdadeiramente, fechando-se em si mesmo e optando por uma solidão disfarçada de autonomia e auto-suficiência

Existe duas formas de evitar se relacionar verdadeiramente, fechando-se em si mesmo e optando por uma solidão disfarçada de autonomia e auto-suficiência, de um não querer, querendo ou permanecendo anos acomodados, como milhares de casais naufragados no tédio covarde de relacionamentos estáveis e seguros, que já não instigam, alegram ou acrescentam. Relacionamentos profundamente insatisfatórios e vagarosos, de sexualidade amorfa, automática e sem vida. Relacionamentos mortos, convencionais sedimentados em solo estéril onde nada pulsa, em que mais nada vibra, em que já não é possível sonhar. Casais que covardemente justificam a manutenção dos laços em nome da moralidade, da família ou de filhos – que filhos, pergunto, desejam ser responsáveis pela infelicidade emocional dos seus pais?

– Pessoas que dia a dia presenciam a morte de si mesmo e assistem impassíveis a possibilidade de felicidade escoar entre os dedos, numa rotina ensurdecedora, neurótica e infeliz, em que mais nada encanta ou surpreende. Numa sociedade em que somos adestrados ao conformismos, sujeitos de autoestimas fragilizadas, atormentados por culpas ocultas, vão aos poucos morrendo em vida por medo de enfrentar seus demônios, de descobri-se na solidão devastadora que assombra, de abrir a porta e ir atrás da felicidade.
Porque só encontra quem assume o risco de perder, porque só arrisca quem acredita que merece ser feliz.
Que o medo de sofrer não nos paralise na busca da nossa felicidade.
Andréa Beheregaray.