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Escuta activa

“Sou Gorda
– Não és nada, isso são ideias tuas.
– Não consegues perceber!
Sara tentou tranquilizar a sua amiga, mas o que conseguiu foi magoá-la mais.

A escuta activa, a linguagem da empatia.

Thomas Gordon é um discípulo de Carl Rogers, o pai da empatia. Sistematizou para uso dos pais aquilo a que chamou a linguagem “eficaz”. Eficaz no sentido em que atinge o seu propósito de comunicação. Para ele a comunicação é ineficaz se um ou outro dos parceiros não se sente respeitado.
Thomas Gordon mostra até que ponto a maior parte de nós não sabe ouvir. Fornece chaves, simultaneamente muito simples e muito difíceis de utilizar porque modificam a nossa relação com os outros e connosco mesmos. 
Não mais os jogos de poder e a coacção ou a ameaça para conseguirmos aquilo que queremos, mas uma troca autêntica entre dois seres humanos. 
Temos tendência para nos precipitarmos com perguntas do tipo “Porquê”? “Por que é que dizes isso?” Em vez de escutarmos, apressamo-nos a oferecer soluções para ajudar, para ser útil, para não enfrentar esse terrível sentimento de impotência.
Sempre inspirado em Rogers, Gordon especificou doze barreiras à comunicação, doze formas de intervir quando alguém tenta falar-nos de uma emoção ou de um problema, mas que bloqueiam, dirigem ou quebram a relação.

As Doze barreiras
1- Ordenar, comandar, exigir
Vai para o teu quarto.

2- Ameaçar, assustar
Se não páras, apanhas

3- Moralizar, dar sermões
Não se interrompe quando alguém fala.

4- Aconselhar, propor soluções
Por que é que não vais brincar com os teus amigos?

5- Dar uma lição, fornecer factos
Os livros são feitos para serem lidos e não para serem deitados fora.

6- Julgar, criticar, censurar
Não estás com atenção!

7- Felicitar, lisonjear
Tu, tão gentil!

8- Ridicularizar, dar alcunhas
Devias ter vergonha.

9- Interpretar, analisar
Simplesmente, tens ciúmes dessa mulher.

10- Tranquilizar, simpatizar
Isso não é nada, vai passar.

11- Inquirir, questionar
Por que é que fizeste uma coisa dessas?

12- Iludir, não dar importância
Olha que lindo que está o dia!

Quase todas as nossas atitudes habituais estão aqui referenciadas, mas então que dizer? Nada.
O outro só precisa de ser ouvido, de um silêncio atendo e de presença no olhar; ou de uma escuta que lhe permita avançar na sua cabeça. libertar-se do peso excessivo dos seus sentimentos, de fazer as escolhas na sua vivência e de encontrar, a pouco e pouco, as suas próprias soluções. 
Eurípedes disse: “Fala, se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou mantém o silêncio”
Respeitemos a emoção que existe. Só isso.
Ele Chora. Se nos precipitamos com um “o que se passa?” Obrigá-lo-emos a contar-nos os factos, a explicar-nos a razão da sua emoção. Nem sempre a conhece, por isso mais vale manter-nos prudentes e começar por permitir-lhe que exprima as suas lágrimas, acompanhando-o com um: “Estás triste” ou “Tens um ar perturbado”, etc.
Thomas Gordon chamou “escuta activa” a essa presença atenta pontuada por frases, reflexo do que é dito. Contrariamente às ideias recebidas, não são os factos que são importantes, mas os sentimentos que provocam em nós.
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